
O repórter Régis Rösing, do
programa Esporte Espetacular, tornou famosa uma modalidade de reportagem
'vidente', em que anuncia o gol antes de ele acontecer. Em algumas
ocasiões, abrindo o microfone para o artilheiro no momento da comemoração.
Fred, atacante do Fluminense, pediu,
cobrou e conseguiu: ao marcar o primeiro de seus dois gols na temporada, contra
o Bangu, na quarta-feira, foi entrevistado por Régis no momento da
comemoração. E já teve de responder a uma pergunta difícil: se ainda sonha
com a Copa do Mundo.
- Vamos corrrer atrás! - anunciou Fred, que na reportagem contou até com sonorização épica, de "A Kind Of Magic", do grupo de rock Queen.
Para ver o vídeo, clique aqui.


O
atacante, porém, manda um aviso para os seus rivais ao revelar que o seu
repertório de cobranças ainda é extenso e que, dependendo da situação, poderá
mudar seu estilo.
Ao
ser perguntado se as paradinhas eram uma maldade com os goleiros, o camisa 9 se
defendeu. Segundo ele, o time que sofre o pênalti tem de ter alguma vantagem na
hora da cobrança e nem sempre o artifício deve ser utilizado.
- O uso da paradinha depende da situação do jogo e da movimentação do goleiro. O
importante é que estou preparado para bater de todas as maneiras. Com força,
direito ou com paradinha. Tenho treinado muito desde o ano passado. É um
recurso do atacante. Não acho injusto, pois quem cobra tem de ter benefícios.
Uso esse fundamento para enganar os goleiros, pois a vantagem tem de ser da
equipe que estiver atacando - disse o artilheiro.
Acostumado
com as cobranças de Fred, o goleiro Ricardo Berna, que costuma treinar com o
atacante, é quem explica o diferencial do artilheiro do Tricolor das
Laranjeiras. Para o jogador, o camisa 9 é diferenciado na hora das cobranças
das penalidades, pois demonstra muita frieza e tranqüilidade antes de chegar
próximo da bola.
- Ele tem uma qualidade muito grande. Mas o que chama mais a atenção é a calma
que ele tem na hora das cobranças. É um atacante muito frio e tem muita força
nos chutes de chapa (lado interno do pé). A bola sai com uma velocidade grande
e isso que mata o goleiro - elogiou.


Como tudo começou
Por Fred
O período de treinamento em Vitória,
onde realizamos a pré-temporada, nos preparando para lutarmos por títulos neste
ano, me fez relembrar o início da carreira, principalmente com a convivência
com a garotada que acaba de subir da base. Tenho zoado muito o Neves, o
Ferreira, o Bruno Veiga e o Dori, mas, acima de tudo, tenho tentado ser o
mais exemplar possível, orientando e passando a minha experiência para
ajudá-los.
Ao falar das divisões de base várias
coisas imediatamente vêm à cabeça e chega ser difícil organizar as ideias. Deus
sempre foi muito bom comigo e a principal oportunidade pintou depois de um
tombo que levei dormindo na parte de cima de um beliche, no primeiro ano de
juniores no América-MG. Caí no chão, continuei dormindo e os outros três
meninos, que dividiam quarto comigo, ficaram muito assustados, pois voltei à
cama e só acordei no dia seguinte. Levantei todo machucado, com muitas dores no
corpo e, principalmente, no joelho. Na época, estávamos nos preparando para uma
excursão na Europa, para um período de experiência no Feyenoord, da Holanda, e
acabei tendo que ficar dois meses parado.
Encarávamos essa viagem como a
grande chance de ir para a Europa e conseguir trabalhar em um bom clube.
Enquanto todos estavam viajando pelo velho mundo, passeando e jogando, fiquei
sozinho fazendo tratamento. Na fase final da minha recuperação, eles ainda
estavam por lá e o Jair Pereira chegou para treinar o profissional. Faltou um
jogador e pediram para subir um do júnior. Na ocasião só estava correndo e eles
me chamaram. No primeiro treino, entrei para completar o coletivo, nos últimos
15 minutos. Dei um elástico, fiz o gol e ainda fui derrubado na entrada da
área. Aí o Jair chegou e disse: "Põe esse menino para bater. Se ele fizer
o gol acabou o treino". Coloquei a bola na marca e soltei uma bomba
no travessão. Ele disse que tinha sido mais bonito do que um gol, acabou o
treino e passou a gostar de mim, se tornou meu "padrinho". Olha como
é a vida: a galera toda na Europa, onde eu achava que teria uma oportunidade de
ouro, e tive essa chance que fez com que o técnico me subisse para o
profissional direto.
Mas vamos voltar ainda mais no
tempo. Cheguei ao América-MG, no primeiro ano de juniores, graças ao incentivo
de um grande amigo da minha cidade que jogava lá e me levou para fazer um
teste. Na época, até pensava em largar a carreira, depois de passar por tantas
dificuldades. Fiquei quatro dias fazendo testes e ele era o
lateral-esquerdo, o cara que mandava no time, liderava a galera. Em uma dessas
peneiras, levei a bola para a ponta direita e ele falava não cruza não, chuta
no gol, me deixando fazer a jogada como eu quisesse, no intuito de me ajudar.
Dei um chute tão forte que cheguei a machucar a mão do goleiro.
Para me promover, esse amigo ficou
falando para todo mundo que eu chutava forte demais. Nesses quatro dias, fiz
amizade com todos e os caras gostaram de mim, mas o treinador disse que não
tinha ficado satisfeito e me mandou embora. O grupo se reuniu,
incentivado pelo Bruno, e falaram para eu ter calma, porque ligariam para o
patrocinador pedindo a minha permanência. No dia seguinte, assinei um contrato
para receber 400 reais, o que para mim era uma fortuna. Fiquei muito feliz por
poder ajudar a minha família.
Antes de chegar aos juniores, também
passei por vários momentos difíceis. Comecei a participar de peneiras desde
criança,
Depois fiz um novo período de
testes, dessa vez no Aciaria, de Ipatinga, uma equipe só de base muito boa, que
sempre enfrenta o Cruzeiro, o Atlético-MG e o América-MG. Consegui me destacar
e fui vendido para o América de São José do Rio Preto. Fui comprado por 40 mil
reais na época e em seis meses não consegui fazer nenhum gol, nem treinar bem.
Estava já desesperado, com medo de ser mandado embora, mas, graças a Deus, nos
seis meses restantes arrebentei e fui vice-artilheiro do Paulista, com uns
15/16 anos.
Em todas essas fases da carreira,
sempre dei muito valor aos treinamentos e não falo isso da boca para fora.
Converso com os meninos que estão subindo da base e digo para darem a vida nos
treinos. Quando subi no América-MG, tinha o Palhinha, Reinaldo, todos meus
ídolos, era um sonho, aos 18 anos, jogar ao lado deles. Entrava cinco
minutos em um coletivo e não parava de correr. Imagino que a relação da
molecada comigo, atualmente, seja parecida e, por isso, na hora do trabalho
tento ser o mais exemplar possível.
Hoje mesmo, estávamos no treino e o
Eudes (auxiliar técnico) falou para darmos chutes devagarzinho para aquecer.
Cheguei perto dos meninos e disse que precisavam fazer a diferença quando o
foco fossem as finalizações. Conto para eles que olhava tudo o que os
profissionais faziam, como pegavam na bola. Ficava atento à postura deles, mas
sempre mantendo a minha personalidade. Sendo assim você vai crescer e depois
começa a fazer naturalmente. Sempre jogo essa cobrança para eles, no
intuito de orientá-los. Ponho minha cara para bater por qualquer um desses
garotos que estão subindo para os profissionais. Defendo mesmo, porque esse
grupo é maravilhoso e os quatro já estão bem à vontade. Ao olhar para eles,
hoje, mergulho no passado e relembro como tudo começou.
A coluna "Fala,
Capitão!" foi retirado do site oficial do Fluminense.


Fala,
Nação Tricolor! Domingo, estreamos com uma bela vitória sobre o Americano.
Todos os jogadores entraram muito concentrados em campo e voltamos para casa
com os três pontos na bagagem. O time do Americano veio disposto a não nos
deixar vencer, mas conseguimos impor o nosso jogo, principalmente após o
primeiro gol (e que golaço do Ewerton!), já que eles tiveram um jogador
expulso, logo em seguida. Todo o time teve uma atuação muito boa, jogamos com
segurança. Os gols do Maicon e do Julio Cesar foram consequência dessa
confiança. Amanhã, voltaremos a campo para encarar o Bangu. Será mais
uma partida complicada e, por isso, vamos trabalhar forte para conseguir mais
uma vitória. É muito importante conseguirmos uma sequência de triunfos, isso
nos dará força e motivação para seguir superando os obstáculos que forem
surgindo. Saudações tricolores!


Fala, galera do
Fluzão!
Depois
desses proveitosos treinos em Vitória, chegou a hora de voltarmos a campo. Foi
um período no qual nos dedicamos muito, aprimoramos a parte tática e física,
para entrarmos com tudo nas competições que nos aguardam, em 2010. Amanhã, será
o dia de iniciarmos mais um capítulo da história desse time de guerreiros.
Tenho
certeza de que esse será um ano especial para a Nação Tricolor. Todo o grupo
está unido em torno de um só objetivo: vencer. É a nossa vez de retribuir tanto
carinho que todos você tiveram conosco, durante todo o ano passado, com bons
resultados e muito empenho.
O
primeiro passo será dado aqui
Gostaria
de aproveitar e agradecer ao pessoal de Vitória, que nos recebeu tão bem. O
carinho que vocês tiveram conosco não tem preço. Ontem, foram até a porta do
hotel se despedir do time e fizeram uma festa muito bonita. Infelizmente, já
estávamos um pouco atrasados para o embarque e não pude parar pra tirar fotos e
dar autógrafos para todo mundo que pediu. Deixo aqui um grande abraço e meus
sinceros agradecimentos a todos os Tricolores Capixabas. Vocês foram incríveis!
Agora,
vou descansar um pouco para chegar 100% ao jogo de amanhã. Conto com a torcida
de todos vocês!
Saudações
Tricolores!